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O feed é edição: o que a Red Bull ensina sobre conteúdo de marca

O feed é edição: o que a Red Bull ensina sobre conteúdo de marca

O feed é edição: o que a Red Bull ensina sobre conteúdo de marca

Em 2012, mais de 8 milhões de pessoas assistiram ao vivo, no canal de uma marca de energético, a um homem saltar da estratosfera. O que muda quando uma marca passa a agir como editora, e como levar essa lógica para um feed real.

Em 2012, mais de 8 milhões de pessoas assistiram ao vivo, no canal de uma marca de energético, a um homem saltar da estratosfera. O que muda quando uma marca passa a agir como editora, e como levar essa lógica para um feed real.

Nicolas Lelis

Escrito por

Nicolas Lelis

Balão de ar quente subindo perto de uma montanha com neve no topo

Em 14 de outubro de 2012, um paraquedista austríaco chamado Felix Baumgartner abriu a porta de uma cápsula presa a um balão, a cerca de 39 quilômetros de altura sobre o Novo México.

Ficou alguns segundos de pé na beirada. E pulou.

Na queda livre, passou de 1.340 quilômetros por hora e quebrou a barreira do som sem estar dentro de nenhum veículo.

Mais de 8 milhões de transmissões simultâneas acompanharam o salto ao vivo no YouTube. Segundo a própria plataforma, era o maior pico de audiência simultânea de uma transmissão ao vivo que ela já tinha registrado. O recorde anterior era da cobertura das Olimpíadas de Londres, naquele mesmo ano.

A transmissão estava no canal de uma marca de bebida.

Parte 01 — Uma marca que se comporta como editora

O projeto se chamava Red Bull Stratos. Quem produziu foi a Red Bull Media House, a empresa de mídia da própria Red Bull, criada em 2007 em Salzburgo, na Áustria.

A Red Bull vende energético. E há anos faz o que uma editora faz: produz filmes, revista, transmissões esportivas e música, e publica tudo em canais próprios.

O produto quase não aparecia no salto. O logo estava no traje e na cápsula, e a história fazia o resto. Era algo que as pessoas queriam ver, contado por quem pagou para que acontecesse.

Parte 02 — Vitrine e publicação

A maioria dos feeds de marca funciona como vitrine.

O produto em destaque.
A promoção da semana.
A data comemorativa do calendário.

Vitrine tem o seu lugar. O problema é quando ela vira a única coisa. Ninguém segue uma vitrine. As pessoas passam por ela.

Uma publicação funciona de outro jeito. Tem assunto, linha editorial e alguém decidindo o que entra e o que fica de fora. As pessoas voltam porque esperam encontrar ali algo que vale o tempo delas.

Sendo realista, ninguém aqui vai lançar um paraquedista da estratosfera. O que dá para copiar da Red Bull é o comportamento de editora, e ele cabe em qualquer orçamento.

Parte 03 — O que uma redação faz que um perfil comum pula

Uma revista não acorda de manhã para decidir o que vai publicar. Antes de qualquer página existir, alguém já fez cinco coisas.

A pauta. O que vai sair no mês, e por quê. Cada matéria tem um motivo para estar ali.

A linha editorial. Sobre o que a publicação fala, e sobre o que ela não fala, mesmo quando o assunto está em alta.

A edição. Cortar, escolher, ordenar. Boa parte do que chega à mesa do editor nunca é publicada.

A revisão. Conferir se o que vai sair está certo. O fato, o nome, o número.

A forma. Seções que o leitor reconhece, com variedade dentro delas.

A maioria dos perfis de marca pula as cinco. Abre o aplicativo no dia, pensa no que postar e publica o que der tempo.

Parte 04 — Como um mês de feed é editado no estúdio

No estúdio, o feed de um cliente passa por um fluxo de redação. É simples, e nenhuma etapa é pulada.

  1. O planejamento vem antes da arte. Cada post do mês tem tema, o texto que vai na imagem e uma sugestão de foto. Esse planejamento é aprovado com o cliente antes de qualquer desenho.

  2. O texto da arte é o do planejamento. Se o designer percebe uma frase repetida do mês anterior, ele aponta e sugere outra, mas não troca por conta própria. O que foi aprovado é o que vai para a peça.

  3. O feed vem primeiro, e os stories depois. Os stories só começam quando o feed está aprovado, porque qualquer ajuste no feed viraria retrabalho dobrado.

  4. Cada carrossel tem uma anatomia própria. A coesão vem da marca: as cores, a tipografia, o logo. A sequência de lâminas muda de um carrossel para o outro, para o mês não parecer uma fórmula repetida.

  5. As fotos do mês são do mês. Foto já usada no mês anterior não volta.

  6. A margem é conferida. No feed, texto e logo ficam dentro de uma área segura de 100 pixels nas laterais e de 110 em cima e embaixo. Nos stories, a reserva é de 250 em cima e 330 embaixo, por causa da interface do aplicativo.

Nada disso é complicado. É o que uma redação faria.

Parte 05 — Como levar isso para o seu feed

Para uma marca que ainda posta no improviso, o caminho tem poucos passos.

Escolha poucos assuntos que a marca domina. São as seções da sua revista. Tudo o que for publicado cabe em uma delas.

Planeje o mês inteiro antes de produzir. Um documento simples, com o tema, o texto e a imagem de cada post.

Crie uma série recorrente. Um quadro que volta toda semana, com nome e formato próprios, como uma coluna de revista.

Edite. Corte o post que só existe para o perfil não ficar parado. Publicar menos e melhor costuma render mais do que publicar muito sem assunto.

Olhe o que as pessoas mandam para alguém. Em 2012, Jonah Berger e Katherine Milkman, da Wharton, a escola de negócios da Universidade da Pensilvânia, analisaram todos os artigos publicados pelo New York Times durante três meses para entender o que fazia um texto ser compartilhado. O estudo saiu no Journal of Marketing Research e mostrou que o conteúdo que provoca emoções intensas, como a admiração, circula mais, e que o conteúdo que provoca tristeza circula menos. Um salto da estratosfera é admiração em estado puro. No seu feed, vale a mesma pergunta: este post provoca alguma coisa em quem vê?

Parte 06 — Editar é dizer não

O trabalho mais importante de um editor é recusar.

A pauta que foge da linha da publicação.
O post que só segue a tendência da semana.
A peça que ficou pronta, mas não ficou boa.

A Red Bull Media House foi criada em 2007. O salto aconteceu em 2012. Os 8 milhões de pessoas assistindo foram resultado de anos de uma marca agindo como editora, muito antes de qualquer balão subir.

O seu feed dispensa o balão. Só precisa de alguém que decida, todo mês, o que merece ser publicado.

Para entender por que uma posição clara é o que dá assunto a uma linha editorial, leia Não compre esta jaqueta. Feeds e marcas que o estúdio desenhou estão no portfólio.

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Quer uma marca que se destaque?

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